Tumores cerebrais: diagnóstico tardio ainda é a maior ameaça
- há 16 horas
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Sintomas confundidos com estresse, enxaqueca ou ansiedade podem atrasar o diagnóstico de tumores cerebrais
Dor de cabeça persistente, alterações de comportamento, lapsos de memória, crises convulsivas e problemas de visão são sintomas que, muitas vezes, são atribuídos ao estresse do dia a dia, à enxaqueca ou à ansiedade. No entanto, esses sinais podem indicar algo mais grave: tumores cerebrais. De acordo com a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), o diagnóstico tardio ainda é um dos principais desafios no enfrentamento da doença e pode comprometer significativamente o prognóstico dos pacientes.
Estimativas oficiais do Instituto Nacional do Câncer (INCA) indicam que cerca de 11.490 novos casos de tumores do Sistema Nervoso Central (SNC), que incluem cérebro e medula espinhal, são registrados anualmente no Brasil, sendo mais de 6 mil em homens e cerca de 5,3 mil em mulheres. Aproximadamente 88% dessas ocorrências têm origem no cérebro, e o câncer no SNC representa entre 1,4% e 4% de todos os cânceres malignos do mundo, esses tumores estão associados a altos índices de morbidade e mortalidade.
O cenário nacional reflete uma realidade global preocupante. Dados do Global Cancer Observatory (GLOBOCAN), da Organização Mundial da Saúde (OMS), estimam que mais de 321 mil novos casos de tumores cerebrais e do SNC foram diagnosticados, no mundo, em 2022. Cerca de 248 mil mortes foram atribuídas a essas doenças no mesmo período. As taxas ajustadas por idade mostram incidência global de aproximadamente 3,5 casos por 100 mil pessoas e mortalidade de 2,6 óbitos por 100 mil.
Os tumores cerebrais podem ser benignos ou malignos e atingir pessoas de todas as idades. O problema, segundo a Dra. Vanessa Milanese, Diretora de Comunicação da SBN, é que os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e variam conforme a localização e o tamanho da lesão, o que contribui para atrasos na investigação adequada. “Muitos pacientes passam meses tratando sintomas isolados sem uma avaliação neurológica aprofundada. O que faz com que o tumor seja identificado apenas em estágios mais avançados”, alerta a especialista.
A especialista ainda reforça que dores de cabeça que mudam de padrão, pioram progressivamente ou surgem associadas a náuseas, vômitos, sonolência excessiva ou déficits neurológicos devem ser investigadas com atenção. "Alterações súbitas de personalidade, dificuldade para falar, perda de força em um dos lados do corpo e crises convulsivas em pessoas sem histórico também são sinais de alerta”, relata.
A gravidade do diagnóstico tardio é ainda mais sensível em populações específicas. Em crianças, por exemplo, tumores do SNC estão entre os principais cânceres em menores de 15 anos, sendo uma das principais causas de morte por câncer nessa faixa etária, o que ressalta ainda mais a importância da detecção precoce.
O avanço das técnicas de imagem e dos recursos da neurocirurgia tem ampliado as possibilidades de tratamento, mas o sucesso ainda depende, em grande parte, da identificação precoce da doença. “Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores são as chances de intervenções menos invasivas e melhores resultados clínicos”, finaliza a Dra. Vanessa.
Além de orientar a população, a Sociedade Brasileira de Neurocirurgia ressalta a importância da capacitação contínua dos profissionais de saúde para reconhecer sinais neurológicos suspeitos e encaminhar rapidamente os pacientes para avaliação especializada. A conscientização sobre os sintomas e a valorização do diagnóstico precoce são passos fundamentais para reduzir impactos e salvar vidas.
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