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Quando a dor de cabeça pode antecipar ou avisar de um AVC

  • Foto do escritor: Portal SBN
    Portal SBN
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Sintomas como dor súbita, intensa e diferente do habitual podem indicar um AVC e exigem atendimento imediato, alerta a SBN


A dor de cabeça é uma das queixas mais comuns nos serviços de saúde e, na maior parte das vezes, está relacionada a condições benignas. Entretanto, em situações específicas, ela pode ser o primeiro sinal de alerta de um Acidente Vascular Cerebral, e reconhecer precocemente essa relação é fundamental para evitar complicações graves. A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia reforça a importância da atenção aos sintomas e da busca por atendimento imediato diante de sinais neurológicos associados à cefaleia.



O AVC segue como uma das principais causas de morte no país. Segundo a Sociedade Brasileira de AVC, foram registradas 84.931 mortes por AVC em 2023, com base nos dados dos cartórios brasileiros 1. Outro levantamento mostrou que, até novembro do mesmo ano, mais de 110 mil brasileiros já haviam morrido em decorrência da doença 2. Dados ainda mais recentes, referentes ao período entre 1º de janeiro e 5 de abril de 2025, indicam 18.724 óbitos, o equivalente a uma morte a cada sete minutos no país 3.



A mortalidade também foi analisada em uma série histórica publicada em 2025, que avaliou o período entre 2019 e 2023. O estudo registrou 174.626 mortes por AVC, com maior prevalência entre homens e pessoas com 80 anos ou mais 4. Esses indicadores reforçam a magnitude do AVC como emergência médica e problema epidemiológico expressivo.



A cefaleia tem papel importante nesse contexto. Embora seja um sintoma frequente e multifatorial, alguns tipos de dor de cabeça devem chamar atenção, especialmente quando se manifestam de forma diferente do habitual. Uma dor súbita, muito intensa, descrita pelos pacientes como a pior dor da vida, é considerada um dos sinais mais associados à hemorragia subaracnóide. Cefaleias acompanhadas de dormência, fraqueza, alteração da fala, perda de visão ou desequilíbrio também exigem investigação imediata, pois podem representar sintomas iniciais de um AVC.



“É essencial entender que dor de cabeça não é sempre algo simples. Em alguns casos, ela pode ser a primeira pista de que o cérebro está sofrendo. Quando a dor vem acompanhada de sintomas neurológicos, o atendimento de urgência não deve ser adiado”, afirma a Dra. Vanessa Milanese, Diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.



Outro ponto importante é o risco de confusão diagnóstica. Há casos em que pacientes são inicialmente diagnosticados com enxaqueca, quando na verdade já estão apresentando sinais de um evento vascular. A dor de cabeça pós-AVC também pode ser subdiagnosticada, especialmente quando o paciente tem histórico prévio de enxaqueca, o que exige avaliação cuidadosa por médicos especialistas. “O histórico do paciente é valioso, mas não pode ser o único critério. Mudanças no padrão da dor de cabeça devem sempre gerar alerta”, complementa a médica.



Para diferenciar uma cefaléia comum de um possível AVC, os médicos utilizam história clínica detalhada, exame neurológico e exames de imagem. A tomografia computadorizada costuma ser o primeiro método utilizado por sua rapidez e capacidade de identificar hemorragias. A ressonância magnética pode detectar isquemias em fases precoces. Avaliações vasculares e exames laboratoriais complementam a investigação, especialmente quando há suspeitas de causas subjacentes, como aneurismas ou malformações vasculares.



Além da identificação precoce, a prevenção é o elemento mais eficaz para reduzir o risco de AVC. O controle rigoroso de hipertensão, diabetes, colesterol elevado, tabagismo, sedentarismo, fibrilação atrial e obesidade é fundamental. Para pessoas que convivem com cefaleias frequentes, a recomendação é manter acompanhamento neurológico regular, registrar episódios em diário de dor e revisar o uso de medicamentos.



“Prevenção e rapidez no atendimento formam a combinação mais poderosa contra o AVC. Quanto antes o paciente procura ajuda, maiores são as chances de preservar funções neurológicas e evitar sequelas permanentes”, explica a especialista.



A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia destaca a necessidade de ampliar a conscientização sobre os sinais de alerta e reforça que a população deve ser orientada a procurar atendimento emergencial sempre que a dor de cabeça vier acompanhada de sintomas neurológicos, especialmente quando a instalação é súbita e intensa.

 
 
 
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