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Neuralgia do trigêmeo é conhecida como a “pior dor do mundo” e pode ser desencadeada até por um toque no rosto

há 11 horas
3 min de leitura

Condição provoca crises intensas de dor facial, semelhantes a choques elétricos, que podem surgir ao falar, mastigar, escovar os dentes ou tocar a pele

Uma dor súbita e intensa no rosto, semelhante a um choque elétrico, que pode aparecer ao mastigar, falar, escovar os dentes ou simplesmente tocar a pele. Esse é o quadro característico da neuralgia do trigêmeo, condição neurológica marcada por crises de dor facial de forte intensidade e popularmente descrita como uma das “piores dores do mundo”.


Uma revisão sistemática publicada em 2026 no Journal of Clinical Neurology, que reuniu 17 estudos, mais de 170 milhões de participantes e 109 mil pacientes diagnosticados, estimou incidência global de 25,33 casos de neuralgia do trigêmeo para cada 100 mil pessoas por ano. O levantamento também encontrou taxas maiores entre mulheres, embora os pesquisadores ressaltem que há variações importantes entre os estudos.


“O nervo trigêmeo é responsável por grande parte da sensibilidade da face. Na neuralgia, estímulos simples, que normalmente não provocariam dor, podem desencadear crises muito intensas, geralmente descritas como choque, pontada ou descarga elétrica. Embora cada episódio possa durar pouco tempo, as crises podem se repetir e comprometer significativamente a rotina do paciente”, explica a neurocirurgiã Dra. Vanessa Milanese, diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).


A dor geralmente atinge um lado da face e pode acometer regiões como mandíbula, bochechas, lábios, dentes e gengivas. Atividades comuns, como comer, beber, conversar, escovar os dentes, lavar o rosto ou fazer a barba, podem funcionar como gatilhos.


Por atingir principalmente regiões da face e da boca, a neuralgia do trigêmeo também pode ser confundida inicialmente com problemas odontológicos. A característica das crises, a localização da dor, sua duração e os fatores que a desencadeiam são informações importantes para diferenciar a condição de outras causas de dor facial.


“É importante observar o padrão. Uma dor muito intensa, unilateral, que aparece em crises e é desencadeada repetidamente por determinados estímulos precisa ser investigada. O paciente não deve conviver com a dor acreditando que não há tratamento ou apenas tentar controlar os episódios sem identificar a causa”, orienta Milanese.


Na forma clássica da neuralgia, é comum existir contato entre um vaso sanguíneo e o nervo trigêmeo, causando compressão na região. Há também casos secundários relacionados a outras doenças, como esclerose múltipla ou lesões estruturais, incluindo tumores. Por esse motivo, a ressonância magnética faz parte da investigação recomendada para pacientes com neuralgia do trigêmeo, especialmente para avaliar possíveis causas secundárias.


O tratamento costuma começar com medicamentos específicos para controlar a dor neuropática. Carbamazepina e oxcarbazepina estão entre as opções recomendadas como primeira linha. Quando a medicação não controla adequadamente as crises, provoca efeitos adversos importantes ou o quadro apresenta características específicas, procedimentos neurocirúrgicos podem ser considerados.


“Quando há compressão vascular do nervo e o tratamento clínico não oferece o controle esperado, existem alternativas cirúrgicas que podem ser avaliadas. A indicação precisa ser individualizada, levando em consideração a causa da neuralgia, a intensidade e a frequência das crises e as condições clínicas do paciente”, explica a neurocirurgiã.


Além da dor física, a recorrência das crises pode interferir na alimentação, na higiene pessoal, no trabalho e no convívio social. O medo de provocar uma nova crise também pode fazer com que o paciente evite atividades simples do cotidiano.


“Não é uma dor que deve ser normalizada. Quando as crises são recorrentes ou interferem nas atividades diárias, é importante procurar avaliação especializada. O diagnóstico correto permite definir a estratégia de tratamento mais adequada e recuperar qualidade de vida”, conclui Milanese.

 
 
 

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