Novo medicamento é capaz de impedir o crescimento de meningiomas atípicos

Um recente estudo científico, publicado na revista Nature Genetics, concluiu que uma nova droga conseguiu impedir o crescimento de meningiomas considerados agressivos em testes realizados em camundongos e voluntários. O novo medicamento, no caso, trata-se de um inibidor de ciclo celular, que faz com que ela seja capaz de bloquear a divisão celular, interrompendo o crescimento deste tipo de tumor.

Os autores do artigo, que são pesquisadores da Northwestern Medicine, para chegar a essa conclusão, procuraram mudanças moleculares do meningioma para assim entender o que causa o crescimento desse tipo de câncer que afeta o cérebro.

Para chegar ao resultado, os pesquisadores precisaram analisar os perfis de metilação de DNA e de sequenciamento de RNA de 565 amostras de meningiomas integrados com abordagens genéticas, transcriptômicas, bioquímicas, proteômicas e unicelulares para mostrar que os meningiomas são compostos por três grupos de metilação de DNA com resultados clínicos distintos, fatores biológicos e vulnerabilidades terapêuticas, segundo o artigo.

Para traduzir esses achados na prática clínica, os pesquisadores mostraram que os inibidores citostáticos do ciclo celular atenuam o crescimento do meningioma em culturas de células, organóides, xenoenxertos e pacientes.

Ao comentar o estudo, a Dra. Vanessa Milanese, Diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, afirma que os meningiomas atípicos ainda carecem de terapias médicas eficazes adjuvantes à cirurgia, para o seu devido tratamento. "Este é um dos estudos mais interessantes sobre meningioma publicados nos últimos anos. O uso desta droga, ainda em fase experimental, mostrou bons resultados em camundongos, fazendo com que eles vivessem mais e que os meningiomas não crescessem de forma tão acelerada. A comunidade científica e neurocirúrgica fica no aguardo de mais informações positivas sobre esta nova droga. Esperamos que ela seja uma opção de tratamento em um futuro próximo", comenta a especialista.

O artigo com os resultados foi publicado no site da Nature Genetics, e pode ser conferido clicando aqui.

113 visualizações