Nos esportes, a concussão cerebral é mais comum e perigosa em mulheres


Pesquisadores analisam os motivos e propõem tratamento diferenciado para minimizar os riscos


No início deste ano, pesquisadores americanos publicaram resultados de estudos conduzidos com 80 mil jogadores adolescentes, realizados entre os anos de 2016 a 2019, onde foi comprovado que as garotas têm duas vezes mais chances de sofrerem concussões do que os garotos. No documento, evidenciou-se também que os meninos se machucavam mais chocando-se uns contra os outros, enquanto as meninas machucavam-se, inclusive, no cabeceio de uma bola. Para tentar entender os motivos desta disparidade, um artigo publicado na Nature, reuniu informações de outros estudos em andamento que elucidam as diferenças anatômicas peculiares que podem justificar tal realidade. Uma das teorias aponta para o fato de os axônios femininos serem mais frágeis do que os masculinos. Eles são fibras presentes nos neurônios, responsáveis pela transmissão de mensagens entre as células. “Esta informação é crucial para agilizar o tratamento diante de alguma situação de choque, pois estas estruturas se lesionadas ou rompidas podem levar a sérias consequências”, observa a neurocirurgiã Dra. Vanessa Holanda, Diretora de Comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Outra teoria aponta para o fato de que a força do pescoço masculino é maior em cerca de 47% do que o feminino. Tal fragilidade foi observada por uma cientista, enquanto assistia a um time feminino que jogava rúgbi, que identificou o efeito chicote na coluna cervical durante as quedas, situação que raramente ocorre nas quedas masculinas. “Neste cenário, o pescoço sofre um movimento brusco que desestabiliza a coluna cervical e pode também prejudicar o cérebro ao se movimentar dentro da calota craniana”, explica a neurocirurgiã. Uma terceira teoria, aponta, ainda, para o ciclo menstrual feminino e sua relação com a recuperação de lesões cerebrais. Observou-se que após o período de ovulação, a recuperação de um trauma na cabeça é mais lenta do que antes deste período ou se comparado a mulheres que equilibram os hormônios com anticoncepcionais. Uma das propostas é que os protocolos de atendimentos para mulheres sejam diferentes do que para homens, para que cada especificidade possa ser atendida a tempo de evitar o agravamento dos quadros. “Estudos complementares estão em andamento para observar as proteínas que uma lesão cerebral pode jogar na corrente sanguínea, isso vai facilitar muito o processo de identificação mais imediata, para o cuidado precoce das mulheres que exercem sua atividade esportiva”, encerra a Dra. Vanessa. São Paulo, 04 de Agosto de 2021

49 visualizações