Estudos recentes revelam os caminhos e justificam a ação da Covid-19 no cérebro humano


Compartilhamento de dados e novas pesquisas ajudam a elucidar como o vírus se comporta no Sistema Nervoso Central


Há pouco mais de um ano, o mundo se assustava perante a uma nova ameaça à saúde humana: um vírus que provocava graves quadros ao trato respiratório e que se desconhecia a extensão de seus impactos. De repente, ficou claro que outros aspectos da saúde também eram afetados por estes organismos microscópicos, que mostraram a que vieram, deixando rastros por onde passam.


De lá para cá, muitas descobertas vêm sendo feitas e inúmeras ainda estão a caminho para nos ajudar a entender completamente como age no corpo humano. No inicio deste mês de julho, a agência Fapesp, em seu evento online “What does COVID-19 have to do with the brain?”, ou “O que a COVID tem haver com o cérebro”, reuniu cientistas brasileiros e alemães para compartilhar informações relacionadas ao cérebro humano afetado pela SARS-COV2, pesquisadas até aqui.


Uma das principais novidades — e boa notícia — está no fato de que o vírus não estende sua estadia no cérebro por mais de três semanas, após a fase aguda. Por outro lado, ele deixa um rastro observado pelo aumento de células citocinas, que provocam inflamações e, portanto, podem desempenhar importante papel nas sequelas neurológicas posteriores à doença. Também ficou constatado que o novo coronavírus ultrapassa a barreira hematoencefálica e acessa o sistema nervoso central por caminhos além do nervo olfatório, como por inflamações sistêmicas que progridem de outros órgãos.


“As informações reforçam estudos anteriores, que constataram a presença do vírus no cérebro e sua relação com déficit cognitivo, ansiedade, quadros de depressão”, reflete a neurocirurgiã Dra. Vanessa Holanda, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN).


Ao afetar grupos de células gliais — que nutrem e alimentam os neurônios — observou-se que o vírus altera suas estruturas metabólicas e de proteínas ligadas a doenças, como Doença de Huntington e Depressão.


“Um melhor entendimento da forma como o novo coronavírus entra e age no cérebro, é imprescindível agir para minimizar os danos causados e restaurar a qualidade de vida do paciente”, encerra a especialista.



São Paulo, 21 de Julho de 2021



*Com informações da Agência Fapesp



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