Estimulação do nervo vago melhora a condição na Doença de Parkinson


Estudo apontou que a terapia minimamente invasiva promove evolução de marcha e aspectos motores de pacientes com a doença


O Mal de Parkinson está entre as principais doenças neurológicas degenerativas e progressivas. Isso significa que deteriora células do sistema nervoso ao longo do tempo, provocando os mais variados sintomas e prejuízos à qualidade de vida do paciente. Sua característica principal é o distúrbio do movimento, que faz com que haja tremores no corpo quando a pessoa está parada; rigidez e espasmos musculares; dificuldade de realizar atividades motoras finas, como escrever, desenhar, pintar; e até mesmo para caminhar.


Pensando em como melhorar estes quadros, um grupo de cientistas conduziu um estudo com 36 pacientes, publicado no periódico Nature, para avaliar biomarcadores clínicos e moleculares da doença diante do procedimento de Estimulação Não Invasiva do Nervo Vago. A técnica é mais comum em casos de epilepsia, cefaleias, depressão, e consiste no uso de um dispositivo portátil acoplado em determinada região para receber estímulos elétricos.


“O nervo vago começa na cabeça e se estende até órgãos do tórax, como coração, pulmão e acaba no estômago. É um importante meio de comunicação entre cérebro e corpo e sabe-se que sua estimulação pode combater a condição de neuroinflamação, presente na Doença de Parkinson”, explica a neurocirurgiã Dra. Vanessa Holanda, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN), em comentário à pesquisa.


Para os cientistas envolvidos no processo, a resposta foi muito positiva, as mudanças nos biomarcadores e a observação de testes físicos indicaram melhora considerável na marcha e condição motora geral dos participantes, sobretudo em uma terapia aplicada três vezes ao dia, durante um mês.


A notícia pode trazer alguma esperança para os pacientes e familiares que convivem com o Parkinson, uma vez que com o passar do tempo os sintomas costumam piorar significativamente. Ainda são necessários novos estudos para interpretar os efeitos deste procedimento a longo prazo, mas espera-se que um dia os sintomas possam ser freados ou até mesmo revertidos.

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