Texto de pesquisadores brasileiros, sobre o artigo SYNAPSE-ICU, é comentário de destaque na Lancet

No contexto de hipertensão intracraniana é evidente que o seu monitoramento é fundamental para que medidas pertinentes sejam tomadas. O que pode parecer redundante nem sempre era o que os artigos científicos até então demonstravam.

Por muitos anos pesquisas não encontraram resultados favoráveis a favor da monitorização da pressão intracraniana (mPIC) e melhora dos desfechos funcionais. Uma das principais críticas eram as falhas metodológicas e o fato que métodos diagnósticos não mudam desfechos e sim as medidas tomadas, sejam farmacológicas, cirúrgicas ou outras realizadas nos doentes com hipertensão intracraniana.

Por esse motivo muitos gestores, sejam de sistemas públicos ou privados, não incluíam no rol de procedimentos os cateteres de monitorização intracraniana e quando o faziam eram com preços defasados no mercado.

Um dos trabalhos que embasam essas atitudes foi o BEST-Trip Trial publicado em 2013 no respeitado periódico New England Journal of Medicine. Apesar da finalidade principal ter sido “distorcida” os seus resultados demonstraram que a mPIC não alterava os resultados clínicos. O que o autor principal desejava demonstrar era que poderíamos conduzir situações de hipertensão intracraniana sem a monitorização da pressão intracraniana e não que o cateter de monitorização era desnecessário. Por muitos anos subsequentes esse estudo foi duramente criticado na literatura, e serviu como embasamento leviano sobre a importância da mPIC.

Recentemente o estudo SYNAPSE-ICU, publicado no Lancet Neurology, demonstrou resultados distintos e permitiu que a tecnologia da mPIC seja fundamental, não somente pelo valor numérico, mas também como acompanhamento do que está ocorrendo na fase inflamatória inicial. Como diriam alguns autores: “a PIC é mais que um número”.

Como o estudo conduzido por Robba et al. (SYNAPSE-ICU, conduzido pela equipe do renomado Dr. Giuseppe Citerio) foi muito bem desenhado e trouxe resultados animadores, os pesquisadores brasileiros Leonardo C. Welling, Nicollas N. Rabelo, Leonardo Luca e Eberval G. Figueiredo escreveram um artigo comentando os principais achados desse estudo para o Lancet Neurology. Esse foi prontamente aceito e colocado ao lado dos textos do Dr. Randall Chesnut (autor principal do BEST Trip Trial) e das respostas do grupo do Dr. Giuseppe Citerio.

Os comentários do artigo foram muito bem aceitos pela comunidade científica e expõem as dificuldades que existem quando pesquisas são distorcidas por gestores de saúde.

O artigo comentado, em inglês, pode ser acessado no link

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